Os dactilógrafos mais rápidos do mundo: recordes verificados e o que significam

Não existe um recorde mundial único e atual para a pessoa que escreve mais depressa num teclado de computador. Os livros de recordes registam Stella Pajunas, que escreveu 216 palavras num minuto numa máquina de escrever elétrica IBM em 1946, segundo o Guinness World Records, e Barbara Blackburn, listada durante anos como capaz de manter 150 palavras por minuto (WPM) durante 50 minutos, mas nunca testada pelo Guinness. Os números de 300 WPM que se veem na internet são picos de cerca de 15 segundos com palavras simples, uma prova diferente de escrever depressa durante meia hora.

Uma classificação tem de decidir o que é uma velocidade credível, por isso verificámos todos os recordes que conseguimos encontrar. Abaixo estão os que pudemos confirmar numa fonte primária ou jornalística, com o que cada um mediu.

Os recordes num relance

QuemVelocidadeDurante quanto tempoVerificado porO senão
Stella Pajunas, 1946216 WPMUm minutoGuinness World RecordsMáquina de escrever elétrica; erros descontados
Barbara Blackburn, registo de 1985150 WPM50 minutosGuinness, a partir de uma cartaNunca testada formalmente; mais tarde retirada
Mark Kislingbury, 2004360 WPM com 97,23%Captação de discursoGuinness World RecordsEstenotipia, não um teclado
Produção de texto da InterstenoMínimo de 72 WPM para entrar na classificação30 minutosJúri da InterstenoCópia de um texto impresso, limite de 0,25% de erros
Testes-sprint onlineMais de 300 WPM15 segundosNão certificadosPalavras inglesas simples

Leia primeiro a coluna «durante quanto tempo». A maior parte das discussões sobre o «dactilógrafo mais rápido» são, na verdade, discussões sobre que duração conta.

Barbara Blackburn: a alegação famosa, e o que foi verificado

Barbara Blackburn (1920 a 2008) é o nome que a maioria das listas põe em primeiro lugar. O artigo da Wikipédia sobre ela expõe as alegações e as ressalvas, e ambas importam.

Aprendeu o esquema Dvorak em 1938. O Guinness Book of World Records de 1976 dizia que ela tinha «sustained speeds of 170 w.p.m.» (velocidades sustentadas de 170 WPM) no Dvorak Simplified Keyboard. A edição de 1985 dizia que ela conseguia «maintain 150 wpm for 50 minutes» (manter 150 WPM durante 50 minutos), o que dá 37 500 toques a cinco por palavra. Um artigo do Seattle Times de 1985 relatava que ela dizia ter feito 212 WPM «for a brief time» (durante um curto período), sem dizer quão curto.

Agora as ressalvas. O Guinness aceitou os recordes dela sem um teste oficial. Um defensor do Dvorak escreveu aos editores em nome dela, e o artigo afirma que ela nunca teve qualquer contacto com as pessoas do Guinness. O registo dela foi retirado a meio da década de 1980 (o artigo indica tanto a edição de 1986 como a de 1987), com o Guinness a afirmar que os recordes em máquinas de escrever elétricas e controladas por computador «cannot be compared with any accuracy» (não podem ser comparados com qualquer rigor).

Há um único teste público registado, e correu mal. Em janeiro de 1985, no programa noturno de David Letterman, competiu com a assistente de produção do programa, Barbara Gaines, numa IBM Selectric. A folha dela saiu cheia de erros. Uma repetição mostrou mais tarde que a mão direita dela estava uma tecla à direita do sítio certo, por isso os «erros» eram a escrita normal dela deslocada uma tecla. Isso não prova o número de 150 WPM; também não o desmente.

Portanto: uma dactilógrafa claramente muito rápida, cujos números principais nunca foram cronometrados de forma independente. Se quiser o lado do esquema de teclado da história dela, o nosso artigo sobre QWERTY vs Colemak vs Dvorak explica o que as provas dizem sobre o Dvorak.

Stella Pajunas: 216 palavras num minuto

O Guinness World Records lista Stella Pajunas, mais tarde Mrs Garnand, como «fastest typist on an electronic typewriter» (dactilógrafo mais rápido numa máquina de escrever eletrónica). Escreveu 216 palavras num minuto numa máquina IBM em Chicago, em 1946, e o Guinness diz que o recorde é medido em palavras por minuto menos os erros.

Um minuto, numa máquina de escrever, com os erros descontados: o mais próximo de um recorde oficial de sprint, e com 80 anos.

Recordes que o Guinness lista hoje

O Guinness continua a certificar tarefas de escrita curtas e bem definidas. Duas que confirmámos:

  • Tempo mais rápido a escrever o alfabeto: Kunal Jatav, da Índia, 3,17 segundos, a 24 de maio de 2026 em Orai, Uttar Pradesh, batendo os 3,25 anteriores. As regras exigem o alfabeto latino com um espaço entre cada letra.
  • Tempo mais rápido a escrever de 1 a 50: Jhon Riel Grumal, 11,53 segundos, a 10 de dezembro de 2023 em Taguig City, nas Filipinas, com um ponto final depois de cada número.

O alfabeto com espaços tem 51 caracteres. 51 em 3,17 segundos são cerca de 965 caracteres por minuto, ou 193 WPM a cinco caracteres por palavra. O recorde dos números tem pelo menos 141 caracteres (91 algarismos e 50 pontos finais), o que dá cerca de 147 WPM. Ambos são sequências memorizadas escritas durante uns segundos, por isso dizem mais sobre a rapidez dos dedos do que sobre escrever texto que nunca viu.

E a estenotipia?

Os estenotipistas judiciais escrevem numa estenotipia, carregando em várias teclas ao mesmo tempo para formar sílabas ou palavras inteiras num só toque. O Guinness lista Mark Kislingbury como o estenotipista judicial em tempo real mais rápido, com 360 WPM e 97,23% de precisão, conseguidos na convenção da National Court Reporters Association em Houston, a 30 de julho de 2004.

É um recorde notável, mas um acorde de estenotipia produz muitos caracteres de uma vez, por isso as suas WPM não se podem comparar com as de um teclado.

Os campeonatos do mundo da Intersteno

A principal competição internacional de dactilografia é organizada pela Intersteno, a Federação Internacional para o Processamento de Informação e Comunicação, cujos congressos remontam a 1887. O 54.º congresso, em Katowice, em julho de 2024, teve campeonatos do mundo de produção de texto, correção de texto, processamento de texto, transcrição áudio e captação de discurso.

A produção de texto é a prova mais próxima de um teste de dactilografia, e as regras mostram o que significa velocidade sustentada. Os concorrentes copiam um texto impresso durante 30 minutos. Cada erro custa 100 pontos de penalização, a taxa de erros não pode passar de 0,25%, e os seniores precisam de pelo menos 360 caracteres por minuto, ou 72 WPM, só para entrarem na classificação.

Dois resultados mostram o nível. Em Katowice, a concorrente croata Andrea Wawrzynek ficou em terceiro lugar na produção de texto com 718,8 caracteres por minuto, um recorde nacional croata, noticiado pela revista croata Daktilosfera. São cerca de 144 WPM mantidas durante meia hora com texto desconhecido. Em 2011, o site de notícias checo Novinky noticiou que Luboš Beran, então com 18 anos, ganhou o ouro na prova de cópia de 30 minutos em Paris com 596 toques por minuto oficiais, depois de o júri descontar 100 toques por cada erro. O mesmo artigo dizia que, aos 16 anos, ele tinha chegado a escrever mais de 1000 toques por minuto num troço curto, com erros.

Contando um toque como um carácter, isso dá cerca de 200 WPM num pico contra cerca de 119 WPM como pontuação oficial de 30 minutos: a distância entre um sprint e um campeonato, na mesma pessoa.

Corridas competitivas

As corridas de dactilografia frente a frente são o outro formato público. O Ultimate Typing Championship foi criado pelo fabricante de teclados Das Keyboard. Na primeira final, no SXSW em Austin, em março de 2010, Sean Wrona venceu Nate Bowen em corridas a 163 e 124 WPM. Na edição de 2020, noticiada pela publicação tecnológica sul-africana Gadget, Anthony Ermolin, de 17 anos, venceu Wrona, com uma velocidade máxima numa corrida de 210,40 WPM e uma média de 180,88 ao longo da final.

As velocidades de corrida e as pontuações de campeonato não são comparáveis. Uma corrida é um sprint curto frente a frente num só trecho, ao passo que a produção de texto da Intersteno dura 30 minutos e penaliza fortemente cada erro.

Sprint versus velocidade sustentada: porque é que as alegações de mais de 300 WPM são picos curtos

O artigo da Wikipédia sobre palavras por minuto di-lo sem rodeios: alguns dactilógrafos mantiveram velocidades acima de 300 WPM num teste de 15 segundos com palavras inglesas simples.

Um teste de 15 segundos favorece o melhor resultado possível de várias formas:

  • A 300 WPM, 15 segundos são 75 palavras, cerca de 375 caracteres. Um tropeção é uma grande parte do teste, mas uma tentativa sem nenhum também é curta o suficiente para acontecer por acaso.
  • As palavras são simples e comuns, por isso há pouco para ler e nada desconhecido.
  • O cansaço não tem tempo de aparecer, e é exatamente isso que uma prova de 30 minutos como a da Intersteno testa.
  • O recorde é o melhor de muitas tentativas. Quem faz um teste curto centenas de vezes publica o mais sortudo.

As contas também mostram como isto é extremo. 300 WPM são 25 caracteres por segundo, um a cada 40 milissegundos em média. No maior estudo sobre pessoas comuns a escrever, de Dhakal e colegas em 2018, o intervalo médio entre toques era de cerca de 239 milissegundos. Velocidades como 300 dependem de carregar na tecla seguinte antes de soltar a anterior: o mesmo estudo concluiu que o voluntário médio fazia isto em 25% dos toques e quem escrevia depressa em 40 a 70%.

Nada disto torna falso um pico de 300 WPM. Torna-o um recorde de sprint, a comparar com outros resultados de 15 segundos, não com um teste de cinco minutos.

Como tratamos resultados muito rápidos

Os nossos testes têm de durar pelo menos 15 segundos ou 10 palavras para contar. Qualquer resultado cronometrado acima de 130 WPM que também mostre tempos invulgares é guardado e mostrado a si, mas fica fora das classificações públicas até passar num teste de verificação. Isso é cerca de duas vezes e meia a média de 51,56 WPM do estudo de Dhakal, e quem escreve mesmo assim tão depressa consegue fazê-lo duas vezes. O artigo sobre a deteção de batota tem as regras completas.

Se quiser ver lado a lado os seus próprios números de sprint e de velocidade sustentada, faça o teste de 30 segundos e o teste de 5 minutos no mesmo dia. A diferença é normal; porque é que as suas WPM mudam de site para site explica como a duração do teste mexe no número, e o que é uma boa velocidade de escrita põe o seu resultado em contexto.

Perguntas frequentes

Quem é o dactilógrafo mais rápido do mundo?

Ninguém tem um recorde atual e verificado de escrita no teclado numa duração com significado. O Guinness lista Stella Pajunas com 216 WPM durante um minuto em 1946. As 150 WPM durante 50 minutos de Barbara Blackburn foram registadas, mas nunca testadas.

Alguém já escreveu a 500 WPM?

Não num teclado, tanto quanto mostram os registos. O número mais alto do Guinness que encontrámos é de 360 WPM, numa estenotipia. 500 WPM significariam um toque a cada 24 milissegundos.

É possível escrever a 200 WPM?

Sim, em picos curtos. Pajunas escreveu 216 palavras num minuto, e o vencedor do Ultimate Typing Championship de 2020 chegou às 210,40 WPM numa corrida. Ao longo de 30 minutos, as pontuações de campeonato ficam bem abaixo disso.

Quem é o dactilógrafo mais rápido da Índia?

O Guinness lista Kunal Jatav, de Orai, Uttar Pradesh, como o mais rápido a escrever o alfabeto, com 3,17 segundos em 2026. Não encontrámos nenhum recorde indiano verificado de escrita de frases numa duração definida.

Qual é o recorde mundial de velocidade de escrita em WPM?

Durante um minuto numa máquina de escrever, 216 WPM (Pajunas, 1946). Em testes online de 15 segundos, foram relatados resultados acima de 300 WPM com palavras simples, e não encontrámos nenhum certificado pelo Guinness.

Fontes